Seja o seu melhor. Use sua nota do Enem* e venha para a Estácio. 30% de Desconto durante todo o curso*.

Graduação 2017 – 2º semestre *Informações legais no site (regulamentos).

Versão para impressão     Enviar para um amigo    

Home : Artigos

Reciclagem é alternativa para reduzir gastos com limpeza urbana

Autor: Demise Resende
Fonte: Imprensa UFPE



O lixo que produzimos diariamente pode se tornar uma fonte de renda e energia quando tratado de maneira correta. No Recife, apenas uma pequena parte da grande quantidade de resíduos gerada é reciclada corretamente. Além da reciclagem, a coleta seletiva e a gestão integrada e sustentável dos resíduos sólidos são alguns dos processos que podem ser utilizados a fim de se obter um melhor aproveitamento do lixo.

Buscando analisar o atual modelo de gestão da coleta seletiva do Recife, o engenheiro agrícola e ambiental Fernando Monteiro realizou a dissertação “Estudo da Desoneração dos Serviços de Limpeza Urbana e Destinação Final dos Resíduos Sólidos da cidade do Recife-PE”, defendida este ano no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFPE. Orientado pelo professor José Fernando Thomé Jucá, o trabalho de mestrado constatou que o contrato de limpeza urbana e destinação final dos resíduos da Prefeitura do Recife é um dos mais onerosos da cidade, e que a comercialização da parcela reciclável dos resíduos sólidos urbanos é uma oportunidade para se reduzir os gastos com esse contrato.

O autor levantou dados junto à Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), em cooperativas apoiadas pela prefeitura e em indústrias recicladoras. No que diz respeito à coleta seletiva, o pesquisador afirma que “são boas as práticas utilizadas atualmente pela prefeitura da cidade”, apesar da falta de divulgação e de um melhor planejamento. A coleta dos resíduos recicláveis é feita através de doação agendada previamente na Emlurb, nos 73 pontos de entrega voluntárias (ecopontos) e oito ecoestações distribuídas pela cidade, além da coleta feita porta a porta, realizada em locais pré-cadastrados e que manifestaram interesse em participar. Segundo o estudo, os materiais oriundos dos ecopontos e ecostações são os que apresentam a pior qualidade em relação à limpeza e à correta separação do material.

No Recife, o pesquisador selecionou nove cooperativas de materiais recicláveis. Destas, seis concordaram em fazer parte da pesquisa e normalmente trabalham com papelão, PET, alumínio, catemba, plástico, papel, jornal, sucata de ferro e vidro. Esse material passa por uma triagem, na qual de 50 a 70% são rejeitos misturados aos recicláveis (dos materiais doados pela prefeitura).

Segundo o estudo, a capacidade de coleta é variável, podendo ir de 18 a 80 toneladas por mês, contudo, a desorganização das cooperativas interfere no potencial das vendas. “A falta de organização dos catadores atrapalha muito o crescimento desse mercado na nossa região. Percebi que falta uma liderança devidamente qualificada para gestão de negócios nas cooperativas. O potencial existe, é muito grande, mas as pessoas envolvidas no processo não demonstraram ter uma visão de negócio a longo prazo”, afirma Fernando Monteiro.

Entre as quinze indústrias e empresas recicladoras identificadas pelo pesquisador na Região Metropolitana do Recife e municípios próximos, sete participaram do estudo. Constatou-se que o material mais comprado é vidro, seguido do PET. O material adquirido passa por outra triagem, uma vez que ainda está contaminado por rejeitos, o que reduz o valor pago aos fornecedores e catadores. Nas entrevistas realizadas pelo autor, as empresas afirmaram que comprariam mais, caso houvesse maior disponibilidade dos materiais, e pagariam mais se o material fosse de melhor qualidade (mais bem triado e limpo).

Projeções

A dissertação também é composta pela estruturação de cenários hipotéticos para os próximos 20 anos, a fim de apontar uma possível desoneração do contrato de limpeza urbana e de destinação final. O autor explica que essa estruturação foi feita para mostrar o potencial de lucratividade que pode ser adquirido com a comercialização da parte reciclável dos resíduos sólidos. No melhor cenário, considerado uma situação ideal pelo pesquisador, em 2036, Recife destinaria 39% da parcela de resíduos para reciclagem, e a sua comercialização geraria um ganho de R$ 123 milhões.

De acordo com o estudo, os serviços de coleta seletiva realizados no Recife ainda deixam muito a desejar, mas, com o devido planejamento, essa realidade poderia mudar. “O primeiro passo é planejar. Estudar o mercado mais a fundo e levantar minuciosamente os custos que envolvem o processo. Analisar modelos de sucesso e verificar se podem ser aplicados aqui”, afirma Fernando Monteiro. Além disso, ele sugere parcerias com a iniciativa privada, uma vez que a prefeitura pode não dispor dos recursos financeiros necessários.

Nesse processo, a população também deve desempenhar um papel importante. “O ´lixo´, que para muitos é sinônimo de sujeira e de coisa sem valor, pode deixar de ser um problema para se tornar uma solução. A possibilidade de geração de renda com a comercialização da parcela reciclável dos resíduos, com a compostagem da matéria orgânica e com o aproveitamento energético dos resíduos é gigantesca”, aponta Fernando Monteiro.



(Foto: PUCRS)





Versão para impressão     Enviar para um amigo