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UFPE desenvolve primeiro raciocinador brasileiro para a Web Semântica

Autor: Texto e foto: Marlon Diego
Fonte: Ascom UFPE



Foi a partir de pesquisas no campo da Web Semântica, em 2010 durante o seu pós-doutorado em Mannhein, na Alemanha, que o professor do Centro de Informática da UFPE (CIn) Fred Freitas, em parceria com Jens Otten, do Institut Für Informatik, da universidade alemã de Potsdam, orientou um grupo de alunos para desenvolver o ReAsoner based on the Connection Calculus over Ontologies, ou o Raccoon, que é o primeiro raciocinador para a Web Semântica genuinamente brasileiro.

Ao buscar aplicações para o raciocinador, a equipe já obteve resultados positivos, levando o CIn-UFPE a firmar uma parceria com a King Abdullah University of Science and Technology (Kaust), na Arábia Saudita, onde se encontra o 9º computador mais rápido do mundo, o Shaheen II. Lá, o Raccoon vai atuar na ajuda em pesquisas para a descoberta de novas fontes de energia sustentáveis e barateamento do petróleo, uma das riquezas naturais em abundância no Oriente Médio. Breve será usado também por brasileiros, em várias outras aplicações.

Para melhor entender o funcionamento de um raciocinador, segundo o professor, é preciso compreender dois conceitos básicos: a web semântica, que é um mecanismo de inferência que atua como uma espécie de caixa preta, utilizada em aplicações de Inteligência Artificial, estimulada a partir de solicitações pré-determinadas, e ontologia, que na área da informática "é um modelo de conhecimento que representa um conjunto de conceitos dentro de um domínio e os relacionamentos entre estes, bem como os axiomas que são verdadeiros sobre estes conceitos e relacionamentos", explica Fred.

Segundo o pesquisador, sendo uma extensão da World Wide Web (www) atual, a web semântica permite ao computador manipular informações das páginas de modo a compreendê-las e poder raciocinar sobre elas. Esse mecanismo possibilita o acesso a informações que não existem na web, como exemplo, quais os competidores da revendedora Scania existem no Recife. "Para obtermos a resposta é necessário que haja na web um repositório de conhecimento chamado ´ontologia´, que define o que são ´competidores´; neste caso, lojas que vendem os mesmos produtos, no mesmo mercado de vendas, e as páginas das revendedoras de caminhões anotadas dizendo o que são e o que vendem. A partir dessas informações, que constam na web, é que poderíamos encontrar a resposta para a pesquisa", exemplifica.

Inconsistências

Freitas explica, ainda, que a web semântica tem várias camadas, sendo a mais expressiva a de ontologias, ou camada da linguagem Ontology Web Language (OWL). "Esse patamar exige raciocínios bem complicados que possibilitam descobertas, inclusive, de inconsistências em definições”, acrescenta. Como exemplo, o professor expôs um caso do Artigo 96 do Código de Trânsito Brasileiro, identificada pelo raciocinador Raccoon: Quando a norma apresenta a classificação de veículos quanto à tração e enumera a) automotor; b) elétrico; c) de propulsão humana e d) de tração animal, dá a entender que eles não há interseções entre eles, ou seja, são disjuntos.

No entanto, quando define o Veículo Automotor, a mesma norma afirma que "é todo veículo a motor de propulsão que circule por seus próprios meios" e, ainda nesta mesma lei, define Veículo Elétrico como "todo veículo que possui um motor (de propulsão) elétrico". "Foi por meio do raciocinador que encontramos esse erro em nossas leis de trânsito, uma vez que essas definições se tornam inconsistentes já que, pelas definições de veículo elétrico e automotor, eles não poderiam ser disjuntos pois, na verdade, todo veículo elétrico é automotor, conforme apontou o raciocinador", afirma Fred.

Segundo o levantamento da equipe brasileira, existem ontologias biológicas enormes, com tamanho de centenas de milhares ou milhões de axiomas. No supercomputador Shaheen II, da Arábia, atua um servidor de consultas a essas ontologias, acessado por muitos grupos de pesquisas da universidade. "Os sauditas têm interesse no raciocinador brasileiro, por acreditarem que com uma implementação específica pode ser mais rápida do que o atual raciocinador utilizado por eles", explica o professor Freitas.

A equipe (Foto) orientada pelo professor Fred Freitas é composta pelos estudantes Dimas de Melo Filho — principal desenvolvedor do raciocinador— Felipe Walmsey, Ary Lins, Felipe do Couto Farias e João Gabriel, auxiliados pelo mestre Adriano Tavares de Melo, todos do Centro de Informática da UFPE. Dimas Melo e o pesquisador alemão Jens Otten esperam ir ao Oriente Médio ainda este ano e a expectativa também é de que a equipe participe da competição de raciocinadores para web semântica Ontology reasoner evaluation (ORE) que ainda não teve datas anunciadas. Até hoje nenhuma equipe brasileira participou da competição.





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