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A Educação no Século XXI - A Ameaça Fantasma

Autor: Amilton Rodrigo de Quadros Martins*
Fonte: Imprensa Imed



O dia 28 de abril é marcado como Dia Mundial da Educação. A data foi estabelecida em referência ao encontro de representantes de 180 países participantes do Fórum Mundial de Educação, ocorrido no ano 2000, na cidade de Dakar, no Senegal. Na ocasião, foi assinado um documento em que estes países se comprometiam a não poupar esforços para que a educação chegasse a todas as pessoas do planeta até 2015.
A partir desta preocupação, o coordenador dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação da IMED, Me. Amilton Rodrigo de Quadros Martins (Foto) faz um panorama sobre os desafios da educação no Século XXI.

Desde os mais remotos tempos, estudiosos, pensadores, educadores e curiosos no assunto constroem cenários sobre o futuro da educação, elaborando teses mirabolantes, que vão desde profecias da substituição de professores por robôs e inserção de conteúdo na cabeça dos estudantes por transmissão eletrônica, até o fim da escola.

O próprio Seymour Papert, matemático que criou a Informática Educativa ainda nos anos 80, falava em sua obra “A Máquina das Crianças”, que se teletransportássemos médicos e professores do século XIX para agora – o agora dele era os anos 80 – e pedíssemos que descrevessem o que achavam mais inovador em relação à sua época, teríamos o seguinte: os médicos não reconheceriam equipamentos, procedimentos e drogas que usamos, ficariam estupefatos em ver o quanto sua ciência ficou irreconhecível em 200 anos. Na crítica de Papert, ele cita que, por sua vez, os professores ficariam muito à vontade, e que inclusive seriam capazes de assumir uma aula e em poucos minutos teriam já dominado toda a inovação que a educação construiu em 200 anos.

Iniciamos essa saga de artigos sobre a educação do século XXI, com o título “A ameaça fantasma”, fazendo uma alusão ao clássico Star Wars e ao mesmo tempo fazendo uma denúncia catastrófica: uma ameaça ronda a escola, silenciosa e onipresente, mas com um efeito social irreversível, pois a escola como conhecemos, está com os dias contados. Dia a dia, a escola perde sua função de fonte primária de conhecimento, e gestores, professores e pais, desatinadamente buscam criar um novo sentido para essa centenária instituição social.

Vamos começar nossa jornada buscando compreender com qual pano de fundo nos encontramos, quais os movimentos sociais nos trouxeram até aqui e onde chegamos, para depois, com alguma assertividade, desenhar uma trilha possível que nos leva para uma escola viva, relevante, protagonista e conectada, que acreditamos.

Alvin Toffler, escritor e futurista norte-americano, escreveu sua obra Best Seller “A Terceira Onda” ainda em 1980, quando a computação e a Internet no mundo estavam engatinhando. Nessa obra prima, ele descreve alguns movimentos antropológicos e sociais que ele chama de ondas, que podem englobar as grandes mudanças comportamentais que a humanidade sofreu nos últimos 3.000 anos, e que definem regras sociais, familiares, de capital e de trabalho, de guerra e geração de riqueza, que afetaram e afetarão o mundo todo.

A Primeira Onda – A Revolução Agrícola (aproximadamente 800 a.C.) foi marcada pela criação da civilização, trazendo como marco a criação de aldeias e depois cidades, contando com a cristalização da família e divisão de papéis sociais mais claros: ao homem, de acordo com seu tipo físico mais robusto, o papel da caça e da guerra, da mulher, pela condição de gerar a vida, o papel de cuidar da prole e manter a vila. Nessa transição, o cultivo da terra substitui gradativamente a atividade de caça e coleta, fixando as pessoas em territórios demarcados por comida, luta e morte.

A escola? Sim, sua versão antepassada estava já presente, onde meninos saudáveis e fortes eram tutorados por seus pais na artimanha da caça e na estratégia da guerra, e as meninas no cuidado da prole e logística de saúde, alimentação e higiene.

O sistema de educação era baseado no adulto tutor, em um sistema de um para um, onde se passava o tempo todo com um familiar mais experiente, nosso professor ancestral, aprendendo com ele desde as técnicas mais aprimoradas para garantir a comida e a subsistência, até os melhores caminhos para se tomar na vida, baseado no conjunto de valores da época.

Além de técnicas de caça, defesa ou cultivo, os aprendizes vivenciavam os valores da família, sempre baseados nos valores sociais da aldeia, passados de geração para geração pelos próprios familiares, com pouca ou nenhuma terceirização de função para membros de fora do círculo de confiança, pois não eram admitidas crenças estranhas ao grupo. A sala de aula era todo o espaço geográfico ocupado pela vila ou aldeia, contando com todos os riscos inerentes à vida da época.

Esse modelo viu o desabrochar das cidades e das grandes civilizações, seguindo a lógica do professor tutor na época dos grandes filósofos e pensadores, até a civilização moderna e pós-moderna, onde a palavra de ordem era massificação e não mais a personalização.

Gradativamente, a educação deixava de ser papel da família e passava a ser especializada e centralizada em indivíduos formados para esse fim, nascendo o papel do professor, aquele que tem o dom da profecia e que tem por missão trazer luz ao seu aprendiz, o aluno – ser sem luz.



*Me. Amilton Rodrigo de Quadros Martins é coordenador dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação da IMED,





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