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Especial Câncer de mama - Mundo de Sabrina


Fonte: Imprensa Imed



"Meu nome é Sabrina Frâncio Estrasulas Jardim, mas pode me chamar de Sabri, ou Sa. Tenho 36 anos, sou Mestre em Administração e professora universitária temporariamente “de férias”. Sou casada com o amor da minha vida, o Cristiano, há quatro anos. Sou mãe de dois filhos peludos, o Ringo e o Elvis. Sou filha do Henrique Antônio e da Marli Maria, e irmã do Fabiano. Sou dinda da Nicole. Sou infinitamente abençoada porque tenho as pessoas mais maravilhosas do mundo comigo, todos os dias! Nasci em Bento Gonçalves, terra linda e cheia de encantos, mas desde 2010, moro em Passo Fundo.


Sou apaixonada por livros, filmes, borboletas, margaridas, piquenique e rock and roll. Acredito no poder do amor. E no poder da energia positiva.


Em 2010, com 31 anos recém feitos, a palavra câncer passou a fazer parte da minha vida e das pessoas que eu amo. Fui diagnosticada com câncer de mama em estágio avançado. Tinha acabado de me mudar para Passo Fundo. Meu namoro tinha seis meses. E ele prometeu, olho no olho, estar sempre, e para sempre, comigo!


Fiz quimioterapia e fiquei careca pela primeira vez. A quimioterapia anterior à cirurgia foi necessária porque o tumor tinha quase sete centímetros e era necessário diminuí-lo. Foram oito sessões, a cada vinte e oito dias. Sabe tudo aquilo que a gente ouve sobre a quimioterapia? Foi muito pior! Sofri física e emocionalmente. Contudo, desistir NUNCA foi a opção! Nesse meio todo, o namorado virou noivo!


Depois da quimioterapia, fiz a mastectomia radical (que é a retirada completa da mama) e, na mesma cirurgia, reconstruí a mama, com prótese de silicone e músculo dorsal. Passada a cirurgia, fiz 42 sessões de radioterapia. A partir daí, passei a tomar um hormônio que funcionaria como bloqueador das células tumorais. Passei por uma nova cirurgia na mama, agora estética.


Em dezembro de 2011, na cerimônia mais sincera, singela e cheia de amor real, o noivo virou esposo e eu, a mulher mais feliz do mundo!


Eu achava que estava tudo “entrando nos eixos” (casamento, trabalho, casa, enfim...), até que, em 2012, no meio de uma aula na faculdade, senti uma dor muito intensa no quadril. Logo eu imaginei que seria por causa do salto alto que eu sempre usava. Diminuí o salto, mas a dor não diminuiu, a ponto de, literalmente, me paralisar. Passei por uma bateria de exames que constataram que eu estava com metástases ósseas decorrentes do câncer de mama. Ou seja, eu estava novamente com câncer!


O danado se julgou “espertinho” e acabou se espalhando muito rápido pelos ossos do corpo e, também, paralisando boa parte dos meus movimentos. Fiquei sem caminhar e, na pior fase, sem conseguir ir ao banheiro sozinha.


Iniciamos o tratamento das metástases pela radioterapia. A radioterapia teria a função de amenizar as dores e possibilitar eu caminhar e me movimentar. Em poucas sessões eu já conseguia caminhar com o auxílio de muletas e, até o final das vinte sessões, eu caminhava sozinha.


Depois da radioterapia iniciamos com a quimioterapia, que vem sendo feita até então. Já fiz, pelo menos, oito protocolos diferentes. Fiquei careca oito vezes! Trocamos de protocolo porque os tumores (esses danadinhos!!!) acabam criando defesas contra a quimioterapia de forma muito rápida.


Mês passado iniciei um novo protocolo. Segundo o meu oncologista, esse protocolo não faz o cabelo cair. Sabe que eu até estou com saudades dos meus cabelinhos? (risos). Às vezes bate um “medinho” de tudo isso, mas imediatamente ele some porque tenho em mim um amor infinito pela vida e uma fé inabalável.


Eu sou muito feliz porque tenho uma família sensacional: pai, mãe, mano, marido e, agora, sobrinha afilhada. Quando eu tive o primeiro diagnóstico, meu pai fez um contrato comigo. Esse contrato regeria (e ainda rege!) nossa relação com o câncer. A cláusula básica é: cabeça erguida e muito alto astral! Procuramos viver, todos os dias, cumprindo esse contrato! Se por algum motivo, há um desvio de rota, logo retomamos nosso contrato! Meus pais são incansáveis e procuram sempre estar por perto, mesmo quando não estão fisicamente comigo.


Nos falamos todos os dias por telefone e a energia deles me alimenta. Meu irmão é um amigão, sempre preocupado, sempre zeloso. Meu marido é meu tudo: meus braços, pernas, olhos e ouvidos. Ele está sempre presente, em todos os momentos. No seu olhar eu encontro força, vontade e alento. Aprendemos a caminhar juntos pela estrada do câncer. Aprendemos a nos resignar, a ter fé e a viver, dia a dia, com intensidade, verdade e muito amor!


Meus amigos são a minha família do coração. Eles estão sempre comigo, me acolhendo, me auxiliando, me fazendo rir. E isso é sensacional! O câncer me ensinou a viver. Sem clichês! Eu sempre dei valor para a família e para a importância dessas relações. Aprendi a falar “eu te amo” sem sentir vergonha, a ligar pra dar “um oi”, a desfrutar o aqui e o agora. A família é o presente mais precioso que podemos ganhar da vida. Nem sempre nos damos conta disso. Infelizmente. Por isso eu afirmo, com todas as letras, AME a sua família. Peça perdão, releve as diferenças. Ame! Vale muito a pena!


Algumas coisas ainda me incomodam muito com relação ao desconhecimento das pessoas sobre a doença, ou, ainda, o reflexo dos seus tabus. Eu nunca deixei de fazer nada que eu tivesse vontade (e imunidade!) porque estou com câncer. E isso parece que incomoda ainda algumas pessoas que tem aquela ideia ultrapassada de que paciente oncológico tem que estar em casa, morrendo. Eu tenho uma VIDA!


O câncer é só um pontinho pequeno nesse mar que é a minha vida. A coisa mais revoltante pra mim é lidar com os olhares de pena. Te digo que eles são piores e ferem muito mais do que qualquer quimioterapia. Ao invés dos olhares, eu preferia uma conversa franca. Posso afirmar, com todas as letras, que hoje eu me sinto uma mulher muito mais linda do que há cinco anos atrás. Eu descobri que a minha beleza exterior está intimamente ligada à minha beleza interior. A gente vive numa ditadura da beleza: tem que vestir, no máximo 36, ter um cabelão igual ao da Gisele Bündchen, comer só alface e andar de salto 15.


Depois que todos os seus padrões de beleza são destruídos: careca, sem seio, engordando e emagrecendo por conta do tratamento, sem unhas (por conta da quimioterapia), sem cílios e sobrancelhas, você precisa olhar para o espelho e descobrir que aquele ser refletido é, na verdade, uma mulher. E, então, você precisa se redescobrir. E se amar! Apesar de todos os pesares! E você passa a se redescobrir e descobrir a sua beleza, nos pequenos detalhes. Seja nos lenços, seja na maquiagem, na roupa... e tudo acaba virando um grande e divertido ritual!


Não podemos ser robozinhos seguidores de padrões. Somos únicos e lindos! Cada um tem em si uma beleza singular, única que está à espera de ser descoberta!"





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