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Profissão: Professor. Gestão do conhecimento para o século 21.

Autor: Carolina Mainardes
Fonte: Profissão Mestre



Para o filósofo e educador Mario Sergio Cortella (Foto), a gestão do conhecimento é competência fundamental na atualidade, tendo em vista o “tsunami” de informações gerado pelos mais diversos canais de comunicação. “É importante que a gente não se perca nesse ‘tsunami’; mas também não deixe de aproveitá-lo como uma onda para crescer”, adverte.

Referência no meio educacional, Cortella, que é autor vários livros na área, esteve em Curitiba (PR) no mês de junho, em evento organizado pela Neoplan, para ministrar palestra a respeito da gestão do conhecimento, “um desafio necessário”, e conversou com a Profissão Mestre. Durante o evento, ele destacou também a importância da competência coletiva na escola: “Uma educação que sirva apenas ao âmbito individual perde impulso na estruturação da vida coletiva, pois ser humano é ser junto, e aquilo que aprendemos e ensinamos precisa ter como meta principal tornar a comunidade na qual vivemos mais apta e fortalecida”.

Para Cortella, os profissionais de hoje devem ser flexíveis e estar dispostos à mudança. “Ser flexível significa ser capaz de, sem alterar seus princípios e valores básicos, enxergar e viver a realidade de outros modos”. Ele explica que a flexibilidade se caracteriza pela capacidade de romper algumas amarras e preconceitos. “Muitas vezes, essas amarras tornam as pessoas reféns de uma condição que, parecendo segura e confortável, pode ser indicadora de indigência e fragilidade intelectual”, alerta.

Cortella aborda, na entrevista a seguir, o atual momento da educação brasileira, as características que definem um bom professor – “aquele que tem humildade para entender que precisa procurar [aprender] o que não sabe” – e o papel da escola no ensino da ética.


Profissão Mestre: Por que a gestão do conhecimento é um desafio necessário?

Mario Sergio Cortella: Porque não podemos nos submeter a esse tipo de “tsunami informacional” que temos no cotidiano e acaba nos estonteando. É necessário que a gente lide com a sociedade e a alteração daquilo que se pode – e deve – [acreditar]. Além disso, é preciso saber se essa enorme quantidade de informações nos é dada de maneira concertada – com “c”, e não com “s”, isto é, [precisamos saber se há] um concerto dessas situações, de modo que a gente não se perca nesse “tsunami”, mas também não deixe de aproveitá-lo como uma onda para crescer.

Profissão Mestre: O conceito de competência coletiva deve ser levado para a escola? Como ele funciona no ambiente escolar?

Cortella: O conceito de competência coletiva precisa aparecer no ambiente escolar; afinal, a educação é um ato coletivo, [que ocorre] dentro da escola. Eu sou um aluno, com vários professores e professoras, portanto, se não houver um planejamento pedagógico em que essa competência apareça como o veio central, tem-se a atividade [pedagógica], mas ela é frágil e produz resultados indesejáveis. Por isso, a noção de competência coletiva nasce no ambiente escolar e, nesse sentido, estende-se a outras atividades, inclusive no campo empresarial, mas ela tem como base a educação escolar.

Profissão Mestre: Como o senhor avalia o atual momento da educação brasileira, em um cenário em que se destacam um novo nome no Ministério da Educação, um ano de Plano Nacional de Educação e greves de professores em vários estados?

Cortella: Muitas vezes, as greves servem de alerta para a distração da sociedade local, que nem percebe qual é a questão que vem à tona. No Paraná, por exemplo, muita gente só se deu conta do que acontecia na educação pública quando houve um confronto, em que houve a vitimação de professores por conta da política do poder público. É preciso que a gente olhe a educação brasileira, hoje, com olhar esperançoso, sem perder de vista aquilo que é necessário corrigir. Há rotas que só começaram a ser corrigidas há trinta anos. Nos dois governos de Fernando Henrique [Cardoso], nos dois de Lula e, agora, no quase um e meio [governo] de Dilma [Rousseff], tivemos um avanço significativo na área de educação escolar: saímos da indigência, da UTI [unidade de terapia intensiva], e estamos na enfermaria. Para ter alta ainda falta tempo, mas não estamos mais na UTI como estávamos há trinta anos.

Profissão Mestre: O que define um bom professor?

Cortella: Bom professor é aquele que tem humildade para entender que precisa procurar [aprender] o que não sabe, que tem consciência social para saber que [ser professor] é uma profissão que não é só uma dedicação sacerdotal, mas que também exige condições de trabalho, por isso o enfrentamento daqueles que sequestram as condições de trabalho docente. Por fim, claro, a ideia de solidariedade social, entendendo que a atividade docente visa à formação de pessoas que façam a vida melhor, e não apenas a si mesmas melhores.


Profissão Mestre: A ética também deve ser um tema abordado na escola? É mais difícil falar desse tema quando as instituições mais poderosas do país e do mundo dão exemplos de corrupção e falta de ética cotidianamente?

Cortella: A ética, na escola, precisa ser exemplar. Eu não posso discutir conselhos de ética com uma criança de 7, 8, 9 anos. É necessário que eu mostre. Se eu quero falar de convivência decente, respeito, generosidade, preciso praticá-los. À medida que essa prática vai ocorrendo no ambiente escolar, vamos estendendo essa comunicação a situações posteriores. No entanto, muita gente deposita na escola uma esperança que ela não dá conta, que é a de lidar com a questão ética. Uma sociedade que apodrece sua convivência não pode supor que a escola vai impedir essa hemorragia de valores que vivemos hoje. Isso não é estancado pela escola. É necessário que, acima de qualquer coisa, entenda-se qual é o limite que a escola carrega. Uma criança fica, em média, entre quatro e cinco horas em uma estrutura escolar e fica outras 19 ou 20 [horas] fora dela, submetida a uma mídia, a uma família, a um ambiente de lazer, em que há toda uma demanda para que ela seja patife. Portanto, não é a escola que cria, não é ela que resolve.



(Matéria publicada na edição de agosto de 2015 / Foto: Profissão Mestre)





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