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Será que é possível "estocar vento"? A opinião de um cientista

Autor: Lauro André Ribeiro*
Fonte: Imprensa Imed




Geração híbrida eólica-hídrica




Recentemente, a Presidente do Brasil Dilma Rousseff fez um discurso que logo ficou famoso nas redes sociais, pois ela afirma que ainda não existe uma tecnologia que "estoque o vento", ao falar da geração de energia pelos parques eólicos. Claro que ela foi no mínimo infeliz na escolha de suas palavras para descrever tal fato. Uma frase mais correta seria: Ainda não é possível armazenar a energia gerada pelo vento, ou seja, gerada pelos parques eólicos. Mas, isso é verdade?

Na realidade não. Já existem formas de armazenarmos a energia gerada pelos parques eólicos. E não estou falando de baterias, que são uma das formas de armazenamento, mas devido ao alto preço e alta quantidade de energia a ser armazenada, tornam-se inviáveis. Estou falando de outra solução que já está sendo utilizada em países como Alemanha, Espanha e Portugal.

A ideia principal é de realizar uma geração em conjunto com hidrelétricas de reservatório e eólicas (híbrida eólica-hídrica). Assim, quando temos excedente de produção de energia eólica, à noite por exemplo, usa-se esta energia para bombear água de baixo para cima do reservatório de água da hidrelétrica.

O conceito consiste em unidades de geração eólica combinados com um sistema de armazenamento hidrelétrico. Ele operaria 24 horas por dia, armazenando o excedente de produção eólica por bombeamento de água em um reservatório elevado, e realimentaria esta energia para a rede elétrica durante os períodos de alta demanda de carga através das turbinas da hidrelétrica. Esta nova estratégia de funcionamento de tais plantas garante o fornecimento de energia mesmo em períodos sem vento, pois teríamos a hidrelétrica para suprir a demanda. E em tempos de vento e sem demanda, poderíamos bombear a água e realimentar o sistema.

Desta forma, seria possível transformar uma fonte de energia intermitente (eólica) em uma fonte menos intermitente de abastecimento de energia (hídrica de reservatório). Além de incrementar a nossa rede de geração de energia apostando nas energias renováveis.

Enfim, alguém precisa avisar a nossa Presidente de que tal tecnologia já existe! E que pode muito bem ser implementada no nosso país.

 


*Lauro André Ribeiro é Doutor pelo Programa MIT Portugal de Sistemas Sustentáveis de Energia na Universidade de Coimbra, Mestre e Bacharel em Administração de Empresas pela UFRGS. Na IMED é professor na Escola de Sistemas de Informação e pesquisador pela Escola de Arquitetura e Urbanismo.





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