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Mosquito da dengue no combate à doença


Fonte: Imprensa UFRGS



A conclusão aparentemente paradoxal dos cientistas resulta de uma pesquisa feita na cidade de Manaus por profissionais do Instituto Leônidas e Maria Deane – Fiocruz Amazônia e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Smithsonian Tropical Research Institute. A estratégia consiste em atrair as fêmeas dos mosquitos até pequenos baldes tratados com um inseticida de alta potência que mata as larvas, mas não os mosquitos adultos.


“Nessas estações de disseminação, os mosquitos entram em contato com pequenas partículas de inseticida em pó que grudam no seu corpo e são levadas pelos próprios mosquitos até os criadouros onde eles depositam seus ovos; a água destes criadouros vira assim uma armadilha letal na qual as larvas morrem antes de chegar ao estádio adulto”, explica Gonçalo Ferraz, que é professor do Departamento de Ecologia da UFRGS e um dos autores do estudo.


De acordo com o pesquisador, a nova estratégia poderia ajudar a superar um dos grandes problemas do controle de mosquitos urbanos e periurbanos, que é a dificuldade dos agentes de vigilância em identificar e tratar todos os possíveis criadouros existentes nas suas áreas de atuação. “Essa tarefa, embora possa parecer simples, é extremamente complicada. Muitos dos criadouros de Aedes aegypti e Aedes albopictus, os vetores do vírus dengue, são pequenos e ficam em locais escondidos, o que os torna difíceis de detectar. Outros criadouros simplesmente estão dentro de prédios fechados ou em outros locais inacessíveis para os agentes de controle”, esclarece Ferraz.


Por conta dessa situação, a chamada ‘cobertura’, ou porcentagem de criadouros efetivamente tratados durante as campanhas de controle, é quase sempre baixa, completa o professor. O resultado é que os criadouros não tratados continuam produzindo mosquitos adultos e a transmissão se mantém.


Técnica elevou mortalidade do mosquito transmissor a mais de 95%


O estudo, publicado na revista PLoS Neglected Tropical Diseases, mostra que os mosquitos podem levar o inseticida desde estações de disseminação até criadouros-sentinela situados a distâncias de até 400 metros, o que resulta em uma cobertura extraordinariamente alta. Durante a intervenção, até 94% dos criadouros-sentinela foram contaminados com inseticida disseminado pelos mosquitos.


Antes da instalação das estações de disseminação, a mortalidade de Aedes aegypti nos criadouros-sentinela era de 3-4%, mas durante a disseminação a mortalidade chegou até mais de 95%. De forma semelhante, Aedes albopictus sofreu um incremento de mortalidade: de 2% antes, para 84% durante a intervenção. Essas mudanças de mortalidade causaram uma diminuição de 10 a 30 vezes na quantidade de mosquitos que completaram seu desenvolvimento até o estádio adulto nos criadouros-sentinela – este número, que era de 1.000 a 3.000 mosquitos por mês antes da intervenção, passou para aproximadamente 100 por mês durante a disseminação do inseticida.


“A diminuição da quantidade de mosquitos adultos é um elemento crítico para a contenção de epidemias de dengue e um dos objetivos centrais dos programas de controle, sobretudo em áreas urbanas”, avalia o pesquisador.


Descoberta pode ajudar a combater outras doenças transmitidas por mosquitos


Como a dengue não é a única doença transmitida por mosquitos capazes de colonizar ambientes urbanos, o combate a outros vírus também pode ser feito com essa metodologia. Alguns exemplos, como os do Nilo ocidental, febre amarela, encefalite equina, encefalite japonesa, mayaro e chikungunya, bem como os vermes parasíticos que causam a filariose linfática, podem todos ser transmitidos por mosquitos adaptados à vida em áreas urbanas e suburbanas. Assim, os resultados do estudo sugerem que o controle dessas doenças também poderia se beneficiar de estratégias que incorporam a disseminação de inseticidas pelos próprios vetores.

Inseticida é inofensivo para humanos e animais domésticos


O produto utilizado no experimento (pyriproxyfen) é especialmente atraente para o controle de doenças transmitidas por mosquitos urbanos. Doses minúsculas, como as que pode transportar um mosquito adulto, são geralmente suficientes para matar todas as larvas presentes num criadouro.


Como o produto não é tóxico para pessoas ou animais domésticos, a Organização Mundial da Saúde recomenda seu uso até na água potável, e o Ministério da Saúde do Brasil adotou a sua aplicação em criadouros para o controle dos mosquitos da dengue em todo o país. Os programas de controle, contudo, utilizam a tática tradicional de inspeção de residências e tratamento direto dos criadouros que os agentes conseguem identificar.


A inovação da pesquisa apresentada reside na técnica de utilização do inseticida, que complementa a tradicional por aumentar substancialmente a cobertura de criadouros: “os agentes continuariam tratando os criadouros visíveis e acessíveis, enquanto os mosquitos disseminariam o inseticida até os inacessíveis ou muito difíceis de detectar”, ressalta Ferraz.


(Foto: Aedes aegypti, um dos transmissores da dengue - Crédito: Sanofi Pasteur)





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